segunda-feira, 21 de junho de 2010

a pobre moça rica

e, no âmbito ambicioso de querer ser o que não é,
na estapafúrdia, consumista, inconsciente, pequena-burquesa
de invejar o que é próprio de outrem,
sem se dar conta da preciosidade de sua própria vida
concedida pelas forças magníficas da natureza, se esvai,
se consome, se sobrepõe, e cospe na vida que lhe é dada,
sem dar a relevância do seu destino nas mãos.
cai, interpreta sem a mínima função de entreter,
mas sim com o propósito de se tornar a alegoria principal,
que não chamou a atenção do mundo por beleza,
que não chamou a atençao por inteligência,
que não atentou os olhares por rara aparição,
esplêndida entrada ou por melodia sem igual... o que são as sobras?
a última alegoria, a desgraça de mãos com a maldição, o dramalhão,..
afinal, nada é real no papel,
a realidade está na pessoa com a caneta na mão;
por não se agradar da realidade,
transpôs a tão lida e decorada literatura
e seus rococós substanciais para a realidade no formato do teatro,
ofendendo o palhaço que tanto se esmerou na pintura dos olhos,
para que ficassem mais expressivos que os de um ser humano normal;
e o sorriso vermelho? muito maior que a boca,
para parecer muito mais feliz do que se poderia ser...
digam, os que falam, para que esta moça rica:
pare de ofender a vida, a bebida, o teatro, a mãe natureza e o palhaço.
acaba por chamar a atenção para uma carência grosseira,
expressar o ódio por não não conseguir se expressar,
ódio pela obediência, costumes, regras e convenções,
ódio e ira que não caem bem em uma dama,
mas sim aos bêbados grosseiros e viciados,
que gritam palavras de ordem enquanto figuras sociais
observam dos parapeitos do centro da cidade.
Em praças, o teatro pede licença, se apresenta e ora,
para que o chapéu esteja cheio ao final, e o pão seja partilhado igualmente;
quando há uma orquestra, convites são enviados;
uma diva, anunciada; o carnaval, nem falemos,
há disputa de títulos, torcida, empenho de doze meses nas plumas e purpurinas;
para todo o espetáculo há um começo, meio e fim.
porque afinal, a moça rica chora?

-''sabe aquela sensação de que tem alguém te olhando??''















''-sei.''