domingo, 30 de novembro de 2014
suspiro na mesa, minha cabeça cansada
de tanto cuidar da importância devida
e ignorar o supérfluo da vida
que não está na minha alçada
me proponho a abrir mão
disponho-me a conter o pincel
flerto com a língua de tinta preta
que minha mão guia e coordena
ela só quer lamber um papel
essa arte é minha amante enganadora
essa suprema divindade de energia pura
de meus pais roubou a alma e suas crenças
em vários países, uma sombra dura
e só devolveu quando as fronteiras não faziam mais diferença
A deusa cuspiu nos meus olhos
por estar confusa e ingrata
e quando eu não enxergava mais nada
me devolveu a esperança no mundo
na forma de uma criança nova
uma missão dada
Vou buscá-la
mergulharei no seu sangue corante
prometo-lhe amor eterno
num rito simbólico e constante
sobre ter consciência
da volta ao início
do início em essência
não é nada de mais, só uma noite de devaneio
uma questão não resolvida
e me calo
tenho o ar do presente em uma mão
preparo me para o soco do dia que virá
conte as horas agora, elas não voltam
os minutos estão só de passagem
os gritos ecoam sem direção
quem sabe o que está por vir?
é mais que um copo de vinho?
quem tem medo? todos que vivem
um calabouço de vícios é o melhor caminho
dizem
ouça, é um pulsar
vive, mesmo se tu não gostar
e te suporta
além do que possa aguentar
é o objetivo
construir a força que vence
a si própria
pra recomeçar
domingo, 22 de janeiro de 2012
primeiro diário
era de capa rosa e letras pequenas
folhas coloridas em cores amenas
eu escrevia tudo que imaginava
absurdos que nem sonhava
escrevi muito sobre um guri
que era lindo desde quando eu o vi
mas por mim tinha ele muito asco
e não tardou em ser meu carrasco
quando descobriu na grama o diário
de vergonha quase morreu o otário
mas tomado por um ódio infantil
o rasgou em pedaços num ato febril
dos restos que lhe sobrara
tirou muito sarro da minha cara
chorei de ver minhas palavras picadas
queridas idéias absurdas rasgadas
e na segunda série que eu consegui
meu primeiro encontro com um guri
no fim da aula o peguei na saída
o primeiro homem que agredi na vida
folhas coloridas em cores amenas
eu escrevia tudo que imaginava
absurdos que nem sonhava
escrevi muito sobre um guri
que era lindo desde quando eu o vi
mas por mim tinha ele muito asco
e não tardou em ser meu carrasco
quando descobriu na grama o diário
de vergonha quase morreu o otário
mas tomado por um ódio infantil
o rasgou em pedaços num ato febril
dos restos que lhe sobrara
tirou muito sarro da minha cara
chorei de ver minhas palavras picadas
queridas idéias absurdas rasgadas
e na segunda série que eu consegui
meu primeiro encontro com um guri
no fim da aula o peguei na saída
o primeiro homem que agredi na vida
domingo, 9 de outubro de 2011
dois inteiros
vem. me faz sorrir, sem porquês de linguagem.
vem e faz com que eu sinta o corpo que habito.
vem e torna-me um evento da natureza nesse curto espaço de tempo.
joga-me no ápice da existência, com um olhar certeiro, pupilas.
tenta-me a ser mais que posso
exalta o que existe nesse metro quadrado
concede-me uma plenitude ímpar
exista por momentos dentro de mim
exista por uma vida humana ao meu lado
vem e faz com que o sentido pra tudo seja este mesmo.
vem e faz com que eu sinta o corpo que habito.
vem e torna-me um evento da natureza nesse curto espaço de tempo.
joga-me no ápice da existência, com um olhar certeiro, pupilas.
tenta-me a ser mais que posso
exalta o que existe nesse metro quadrado
concede-me uma plenitude ímpar
exista por momentos dentro de mim
exista por uma vida humana ao meu lado
vem e faz com que o sentido pra tudo seja este mesmo.
domingo, 17 de outubro de 2010
ao mestre
aula de amor
bertold brecht
Mas, menina, vai com calma
Mais sedução nesse grasne:
Carnalmente eu amo a alma
E com alma eu amo a carne.
Faminto, me queria eu cheio
Não morra o cio com pudor
Amo virtude com traseiro
E no traseiro virtude pôr.
Muita menina sentiu perigo
Desde que o deus no cisne entrou
Foi com gosto ela ao castigo:
O canto do cisne ele não perdoou.
bertold brecht
Mas, menina, vai com calma
Mais sedução nesse grasne:
Carnalmente eu amo a alma
E com alma eu amo a carne.
Faminto, me queria eu cheio
Não morra o cio com pudor
Amo virtude com traseiro
E no traseiro virtude pôr.
Muita menina sentiu perigo
Desde que o deus no cisne entrou
Foi com gosto ela ao castigo:
O canto do cisne ele não perdoou.
de um tudo, o todo, que baste o lodo
só o discernimento me concede
a paciência exigida
pra aturar sem gritaria
toda essa pane imprecisa
sem chutar os traseiros merecedores
sem rebater as teorias infundadas
meras mentiras censuradas
minha vida, meu caos organizado
tudo que me é dado
pelo prazer do desapego
precioso e sagrado
não mais te diz respeito
nós, aqui, também morremos
mas vamos felizes e irônicos
cantando sátiras e barbaridades
sem precisar mentir como tu
um atol de frivolidades
que me provoca uma vontade doentia
de te mandar tomar no cu.
mera e fictícia dependência emocional
e daí, que quero ser flutuante
e ora bolas, quem julga ser irritante, no espelho não olha
ao apontar o dedo tapa os olhos pra enganar a própria face
ao apontar em riste, viste
que pra ti mesmo apontaste todos os outros
grita e desvirtua, ignora
minha pouca e suficiente inteligência
que basta pra me manter com olhar alheio
e julgamento analítico
e pensamento prático
tentando tomar tempo
pra decidir o que fazer com todas as tuas palavras
se te faço comê-las
ou te faço vê-las
pois, alguns gostam de discussões
alguns gostam da hipocrisia e da ânsia
eu só gosto de cada minuto da minha vida
e que não soltem cobras no meu nirvana
cansei de acomodar meu ânimo
e andar sob o signo da vigilância
sei como confiar cegamente em quem
normalmente não se confia
sei beber da lírica e cuspir na pia
andar pé por pé
para não acordar os pequenos grandes projetos
gritar só o que vale a pena mesmo, mesmo
como por exemplo, um instrumento
não sou de dar ordens, mas vai
desapega, solta as garras da vida alheia
enquanto vive de aparar os galhos
no teu caminho cresce o mato
está a perder a trilha do que é teu
pra ficar roubando meu espaço.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
a lioness poem
(escrito em 2007, sob o título de ' the lion poem'' adaptado e traduzido para o inglês em 2010 por ju, nando e danisan)
a lioness poem
I defend my tribe with roars and kicks
path of no concern in arid land
it's hard to tell I'm a lioness
I usually do not comb my hair
but I am a lioness. Kind, faithful and brave hearted lioness
I prefer to keep myself stable and thinking
accepting the faults of those who take shelter under my sun
nobody on my way now, therefore
I'm not on the way of anyone
have you ever seen a lion walking in swamps?
and on my way if I want to run, it is my decision
shoot me if I want to roll in the sun
enjoy and watch my immense laziness
who will stop me? I accept good company
but please do not try to stop me
I’ll always defend my tribe with roars and punches
my faults, you should accept that I do not accept resources and meows
you better pray that
I do not find out what you did wrong.
my arrogance is nothing more
than the authority that gives me my tribe
knowing very well what I'm capable of.
a bullet is not enough to stop me
it would take many hunters to knock me down
but hunters are human, and humans
can shoot each other trying to catch me
while I behold them, hunt them, one by one
I’m not a queen, I’m not food
I am a lioness, I obey my instinct and only just that
a lioness poem
I defend my tribe with roars and kicks
path of no concern in arid land
it's hard to tell I'm a lioness
I usually do not comb my hair
but I am a lioness. Kind, faithful and brave hearted lioness
I prefer to keep myself stable and thinking
accepting the faults of those who take shelter under my sun
nobody on my way now, therefore
I'm not on the way of anyone
have you ever seen a lion walking in swamps?
and on my way if I want to run, it is my decision
shoot me if I want to roll in the sun
enjoy and watch my immense laziness
who will stop me? I accept good company
but please do not try to stop me
I’ll always defend my tribe with roars and punches
my faults, you should accept that I do not accept resources and meows
you better pray that
I do not find out what you did wrong.
my arrogance is nothing more
than the authority that gives me my tribe
knowing very well what I'm capable of.
a bullet is not enough to stop me
it would take many hunters to knock me down
but hunters are human, and humans
can shoot each other trying to catch me
while I behold them, hunt them, one by one
I’m not a queen, I’m not food
I am a lioness, I obey my instinct and only just that
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