domingo, 17 de outubro de 2010

ao mestre

aula de amor
 bertold brecht


Mas, menina, vai com calma

Mais sedução nesse grasne:

Carnalmente eu amo a alma

E com alma eu amo a carne.



Faminto, me queria eu cheio

Não morra o cio com pudor

Amo virtude com traseiro

E no traseiro virtude pôr.



Muita menina sentiu perigo

Desde que o deus no cisne entrou

Foi com gosto ela ao castigo:

O canto do cisne ele não perdoou.

de um tudo, o todo, que baste o lodo

só o discernimento me concede
a paciência exigida
pra aturar sem gritaria
toda essa pane imprecisa
sem chutar os traseiros merecedores
sem rebater as teorias infundadas
meras mentiras censuradas
minha vida, meu caos organizado
tudo que me é dado
pelo prazer do desapego
precioso e sagrado
não mais te diz respeito
nós, aqui, também morremos
mas vamos felizes e irônicos 
cantando sátiras e barbaridades
sem precisar mentir como tu
um atol de frivolidades
que me provoca uma vontade doentia
de te mandar tomar no cu.



mera e fictícia dependência emocional

e daí, que quero ser flutuante
e ora bolas, quem julga ser irritante, no espelho não olha
ao apontar o dedo tapa os olhos pra enganar a própria face
ao apontar em riste, viste
que pra ti mesmo apontaste todos os outros
grita e desvirtua, ignora
minha pouca e suficiente inteligência
que basta pra me manter com olhar alheio
e julgamento analítico
e pensamento prático
tentando tomar tempo
pra decidir o que fazer com todas as tuas palavras
se te faço comê-las
ou te faço vê-las
pois, alguns gostam de discussões
alguns gostam da hipocrisia e da ânsia
eu só gosto de cada minuto da minha vida
e que não soltem cobras no meu nirvana
cansei de acomodar meu ânimo
e andar sob o signo da vigilância
sei como confiar cegamente em quem
normalmente não se confia
sei beber da lírica e cuspir na pia
andar pé por pé
para não acordar os pequenos grandes projetos
gritar só o que vale a pena mesmo, mesmo
como por exemplo, um instrumento
não sou de dar ordens, mas vai
desapega, solta as garras da vida alheia
enquanto vive de aparar os galhos
no teu caminho cresce o mato
está a perder a trilha do que é teu
pra ficar roubando meu espaço.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

a lioness poem

(escrito em 2007, sob o título de ' the lion poem'' adaptado e traduzido para o inglês em 2010 por ju, nando e danisan)


a lioness poem


I defend my tribe with roars and kicks
path of no concern in arid land
it's hard to tell I'm a lioness
I usually do not comb my hair
but I am a lioness. Kind, faithful and brave hearted lioness
I prefer to keep myself stable and thinking
accepting the faults of those who take shelter under my sun
nobody on my way now, therefore
I'm not on the way of anyone
have you ever seen a lion walking in swamps?
and on my way if I want to run, it is my decision
shoot me if I want to roll in the sun
enjoy and watch my immense laziness
who will stop me? I accept good company
but please do not try to stop me
I’ll always defend my tribe with roars and punches
my faults, you should accept that I do not accept resources and meows
you better pray that
I do not find out what you did wrong.
my arrogance is nothing more
than the authority that gives me my tribe
knowing very well what I'm capable of.
a bullet is not enough to stop me
it would take many hunters to knock me down
but hunters are human, and humans
can shoot each other trying to catch me
while I behold them, hunt them, one by one
I’m not a queen, I’m not food
I am a lioness, I obey my instinct and only just that

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

25-9-2008

talvez não haja nada de errado com tua promiscuidade
escrevo por medo de perder meus pensamentos dentro da cabeça
e nunca mais achar
talvez não haja nada de errado em ter a mim
e ter outros corpos
e ter outras falas
e ser o banquete ofertado a ninguém
mas pra mim
já dá muito trabalho ser eu mesma,
coisa que nem consigo por completo
-o fácil é me colocar no lugar de outros
(maldita empatia, nunca a controlei)
e ver que de todas as tuas faces
só há frações incompletas
de coisas que tu quer
e nunca terá por inteiro
que merda, né?

seria só dizer que

não valeria a pena dizer nada
mas como tua incógnita é maior que a minha
presuponho que
um de nós teria que se revelar
duas incógnitas deste tamanho não tem como ignorar
então, ganha quem explodir primeiro?

incerto até certo momento

olha, olha os minutos passando, indo embora
na frente do teu ser
se não vais sair daí, para ir comigo
que importa, sair e testar a resistência, a cada lua cheia?
minhas idéias não te impressionam
mas desde que saibas que volto
depois de ver os minutos passando, indo embora
em outro lugar, que não é o agora

condições

olhar que invade
mãos que querem
lábios que se mordem, boca que saliva
tua linguagem simplesmente 
entendeu a minha
palavras só atrapalhariam
essa coisa animal
mas antes que tu possa avançar
sou eu quem dá o sinal
e sou eu quem diz o final

retrato ll - mais adiante na rua


o teu corpo, pedaço de carne
tal qual tu comes
tua visão, tela fora do ar
tua fala, medida, boba, trivial
parei pra observar-te
óh imbecil modelo da criação
em teus trajes padrão
te observo e te ouço, mas não te compreendo
paraste aqui, certo? 
agora responde-me
porque gasta teu tempo existindo?

te convences?

passivamente ocasional, espero o momento certo.
estou sempre sob o meu próprio controle.
sei como serenar meu coração.

quando um 'não' é partido, os pedaços não caem ao chão.
eles flutuam no fluxo das próximas palavras, que da boca sairão.
rimas pobres e distoantes, decisivas ou lascivas, de cunho alto ou chinelão.

resta que se acabem, esses pedaços
livres de qualquer traço
que novamente me façam dizer um inteiro 'não'

tento pisar em uma pedra de cada vez,
aconselhar um sentimento de cada vez,
soltar minha eloquência, uma por vez;
no meu íntimo, e pessoal meio
um erro a cada três.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

à um amigo

que assim seja, vida confusa, as pessoas se batem
há grandes eventos, o dinheiro rola sem valor
um grande palco de alienados cegos.
o mundo, uma grande bola de informações em movimento
e em níveis diferentes, essa informação toda é difusa, confusa e incompleta.
poucos conseguem ver a perfeição.
não há como um só assimilar tudo que existe
e vivemos para ter opiniões insuficientes baseadas em sugestões duvidosas
 que vão ser comentadas por outros desinformados com outras opiniões também insuficientes,
baseadas em sabedorias incompletas,....pão e circo para o povo, e tudo estará bem.

montanhas azuis 1

Pela janela da cozinha vejo montanhas. As próximas, desabitadas e verdes.
As mais distantes ficam com uma cor azulada pela neblina que se forma de manhã.
Nada sabem elas sobre o que as rodeia, são apenas montes de terra e rocha,
as rugas do planeta.
As pessoas que moram aos seus pés talvez não vejam essas montanhas como eu vejo:
elas são a minha paisagem mais vista;
me perco lá quando meus olhos passam pela janela.

crônica de um dia como hoje

Um casal deitado na grama sob o sol que anima o parque,  enquanto os filhos brincam ao lado.
Ela acaricia a grama como se alisasse um cachorro:

-ô planetinha,..
-é, né, tão bunitinho e tão judiado,...diz ele.
-o problema é uma certa espécie que o habita.
-é.
-quando tu vê as fotos do satélite, tipo, a África ou a China, vistas de cima. o que tu pensa?
-penso na semelhança com uma colônia de bactérias em uma lâmina.
-não esquenta. logo vão achar outro planeta pra infectar.
Um dos filhos vem correndo:
-mãe, pai,  não pode fumar aqui no parque! apaga isso, QUE CÊIS VÃO SÊ PRESO!
e o pai:
-mas ninguém vai ver a gente! nois tamo 'camuflado' aqui na grama, ué!

no title nº 16

O anjo arqueiro é soturno na noite
ele não cai na névoa da escuridão
mãos ferozes e boca sedenta
de carne nova na contramão

por vezes na névoa da noite,
em meio aos outros degredados foliões da vida humana,
o bichano no chão ignora a minha embriaguês severa.
No metal escuro e na sombra do asfalto úmido,
a noite se fez burlesca e circense, hora feliz, hora caótica.
Num subúrbio, no ar da noite,
algo vocifera.

Saliva e sangue, pequenas mostras
padrões de comportamento,
ditando regras auto-destrutivas em 4,3,2,1...
adiar até o momento certo,
odiar no momento errado,
porque tudo passa, tudo passará,....
e nos riffs que se repetirão por décadas,
nos minutos de respiração ofegante,
algo vocifera.

universo caótico, walk and caffeine
nada, nada que me domine
algo que se supera, na angústia desta noite
e o licor do medo das pessoas
todos bebem, uns dos outros
sentindo a cólica de existir perante tudo

comprar uma aliança para si mesmo

...e ficar perto de quem gosta de mim


meus amores, verdadeiros e reais amores

que me dão a plena satisfação de cobrir minha ânsia animal

de que necessitem de mim

no alto de meus pensamentos tardios

e todas as atitudes que deixei de tomar, por amor

calo-me e fico.

fuck doll

tenho que me acostumar ao silêncio?
tenho que mudar meu jeito?
para ao macho me adaptar
nada que eu faça vai mudar
o mundo que ainda é o mesmo


dançar conforme a música
dançar até cair
num poço de arrogância e vaidade
cair para os outros verem
e ser o que eles querem


as pernas abertas e a cabeça vazia
nada de idéias, a roupa bonita
e dançar conforme a música
e dançar igual, ser igual
cabeça vazia num corpo legal


tenho que acatar ao silêncio?
e me acostumar ao silêncio?
a falta de palavra é o melhor remédio
entre na fila pra se matar, garota
por causa desse tédio

~domingo bipolar~

1

picos de felicidade

baldes de cafeína

tristeza sem hora

soma sem prova

2

alguém do outro lado

um pensamento bordado

a caça é desaconselhada

uma onça desavisada

3

o nada é um conjunto

de provas sem par

difícil é a pessoa se tocar

que viver é só uma tarefa

impossível de completar

4

um passo, dois, mãos dadas

língua na boca, no rosto

olho no olho, pensamentos iguais

sem pistas e sem provas

de algo que não lembro mais.